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Em fogo lento

Cozinha de conforto... e não só! by Telas da Alma INSIGHTS

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Biscoito da Teixeira

 

biscoito da teixeira.JPG

 

“Ali, no sopé do Marão, ainda há quem guarde segredos na arte de bem preparar estes saborosos doces. Diz quem sabe, que o segredo ainda é a alma do negócio. Pois claro… Se não sabemos o segredo, sabemos que são bons. Feitos com farinha de trigo, açúcar, limão, fermento, bicarbonato e ovos. Muitos ovos se o artigo é fino. Menos, se é para feirante comprar…”

 

In Baião – Tradição e História…

Anégia Editores, Câmara Municipal de Baião, 1997

 

Este doce regional tem a génese na freguesia da Teixeira, mas a sua origem histórica não se encontra bem definida, existindo relatos orais de que a sua confeção poderá ter mais de dois séculos de existência.

Poderemos encontrar o doce à venda em feiras, festas e romarias, um pouco por todo o país, mais acentuadamente nas regiões do Douro, sendo conhecido por Biscoito da Teixeira ou por Doce da Teixeira. É comercializado dentro de sacos de plástico, que os protegem do pó e lhes permitem maior durabilidade. Por norma, conservam-se à temperatura ambiente.

Não se trata de um doce elaborado e requintado, antes pelo contrário, as suas origens são bastante humildes, sendo utilizados ingredientes de fácil acesso, tais como a farinha, o açúcar, o limão ou o sal. Poderá levar ovos ou não.

O segredo do sucesso do doce está na confeção e na junção desses ingredientes, respeitando tempos e técnicas simples e ancestrais mantidas em segredo, que são passadas de geração em geração através da prática quotidiana, ditando o seu gosto e aspeto caraterísticos, para além da sua cozedura feita em fornos a lenha, aquecidos e preparados de forma tradicional e artesanal.

Apresenta-se em formato retangular, de cor amarelo/acastanhado, com sabor intenso, adocicado e de aspeto rústico.

De acordo com a tradição, não deverá ser partido com a faca, mas antes quebrado com a mão, acentuando a rusticidade do ritual da sua degustação, simples, ou em conjunto com compotas, enchidos, queijos, vinho do Porto ou vinhos de mesa…

 

biscoito da teixeira (2).JPG

 

Irá necessitar de:

  • 200 g de açúcar amarelo;
  • 2 ovos;
  • O sumo e a raspa de 1, 5 limões grandes e bem frescos;
  • 2 dl (aproximadamente) de água morna;
  • 1 dl de óleo;
  • 500 g de farinha de trigo sem fermento;
  • Canela (a gosto);
  • Erva-doce moída (a gosto);
  • Sal q.b.;
  • 1 colher (das de chá) de bicarbonato de sódio.

 

Procedimentos:

  1. Numa tigela, com auxílio do batedor de arames, bata muito bem os ovos com o açúcar até obter um preparado espesso e que faça bolhas.
  2. Adicione o sumo e a raspa de limão e vá alternado a farinha com a água e com o óleo, mexendo vigorosamente com o batedor ou com uma colher de pau, entre cada adição.
  3. Assim que tiver esgotado a farinha, a água e o óleo, adicione o sal, a canela, a erva doce e o bicarbonato de sódio.
  4. Bata energeticamente a massa, com auxílio da colher de pau, levantado entre cada mexida, para incorporar ar na massa e para que fique bem trabalhada e elástica (a massa não deverá ficar demasiado líquida e deverá fazer bolhas, sinal que está bem batida).
  5. Unte os tabuleiros (latas) de folha com óleo e coloque a massa lá dentro para levar a cozer ao forno pré aquecido nos 230 graus.
  6. Assim que estiverem cozidos e douradinhos (faça o teste do palito), retire-os e deixe-os arrefecer sobre uma rede.

 

 

Tabuleiros ou latas do Biscoito da Teixeira

 

Os biscoitos são cozidos nuns tabuleiros próprios (chamados de latas), que são fabricados artesanalmente pelos latoeiros.

Existem essencialmente 2 formatos retangulares. O formato grande apresenta as dimensões de 24 cm de comprimento X por 18 cm de largura X 3 cm de altura. O formato pequeno apresenta as dimensões de 18 cm de comprimento X 12 cm de largura X 2,5 centímetros de altura.

 

latas biscoitos da teixeira.JPG

 

 

Sobre a freguesia da Teixeira, Concelho de Baião

 

A freguesia da Teixeira pertence ao concelho de Baião, distrito do Porto, Portugal. Possui uma área extensa, mas muito despovoada, abarcando uma grande extensão do vale do rio que tem o mesmo nome (Rio Teixeira).

A origem etimológica da palavra “Teixeira” poderá estar associada a um arbusto espontâneo chamado teixo, para além de outros topónimos relacionáveis como “Teixoso” (na Serra da Estrela).

Ocupa uma boa fatia da Serra do Marão, estendendo-se precisamente até ao ponto mais elevado, a quase 1500 metros de altitude, e que recebe aquele nome (Serra do Marão). É precisamente aí que assenta a antiga Ermida da Senhora do Marão que, de acordo com Pinho Leal, é anterior a 1700. Desse local avista-se, em dias claros e transparentes, um panorama magnífico, o qual se alarga por várias dezenas de quilómetros em redor.

O solo desta freguesa é predominantemente do tipo xistoso, com um índice de florestação mediano nas partes fundas, onde abundam os castanheiros, permitindo uma razoável produção de castanha, matéria prima indispensável ao fabrico das célebres “falachas”.

Mas é sobretudo pelo profundo vale do Rio Teixeira, o qual nasce nesta freguesia, que se estende a parte povoada da freguesia, começando em Mafómedes, aldeia recôndita, ainda hoje marcada pelo isolamento.

Em tempos idos, a freguesia de São Pedro da Teixeira era abadia da apresentação dos Condes de Unhão e, depois, dos marqueses de Niza, seus descendentes. Esta freguesia foi Vila e Sede do Concelho com o mesmo nome entre os anos de 1514 e de 1836, constituído anteriormente ao século XVI (nos seus princípios ou nos finais do século XV), com pelourinho e justiça próprios. Teve foral concedido por D. Manuel a 17 de julho de 1514.

O “Cadastro” de 1530 refere que aquele concelho, cuja Sede ficava no lugar de Vendas, era chão, sem cerca nem castelo. O rei tinha nele toda a jurisdição; direitos e rendas pertenciam a Martim Teixeira. Era habitado por 48(?) moradores, dois destes no referido lugar de Vendas e os restantes em casais e quintas, afastados uns dos outros. Tinha de termo uma légua de comprido e meia de largo, partindo com os concelhos de Baião, Gestaçô e Penaguião.

O Concelho da Teixeira foi extinto em 1836. Um dos seus últimos senhores foi Gonçalo Cristóvão Teixeira Coelho, fidalgo perseguido pelo Marquês de Pombal.

Esta freguesia compreende os lugares de Rua, Gavinho, Mafómedes, Sobradelo, Saçães, Prieira, Ordem, Várzea, Vila Maior, Álvaro, Petada, Picota, Hospital, Vilarelho e os Casais de Areias, São Tomé, Ribeiro, Fontainhas, Vila e Salgueiro.