Cavacas de Resende

Irá necessitar de:
Para a Massa
- 8 ovos inteiros + 4 gemas à temperatura ambiente;
- 250 g de farinha de trigo;
- 250 g de açúcar.
Para cozer as cavacas
- Tabuleiros com 45 x 30 cm aproximadamente;
- Farinha de trigo tipo 55;
- Farinha de milho fina.
Para a calda
- 250 g de açúcar;
- Meio litro de água;
Para a cobertura
- 500 g de açúcar;
- 1 dl de água.
Procedimentos para fazer a massa:
- Num recipiente fundo coloque os 8 ovos inteiros mais as 4 gemas.
- Acrescente-lhes o açúcar e bata muito bem até obter uma gemada muito espessa.
- Quando a massa estiver pronta, acrescente-lhe a farinha em chuva, depois de peneirada. Envolva delicadamente para não abater muito a massa.
- Polvilhe os tabuleiros com farinha de milho misturada com farinha normal, formando uma camada espessa no fundo (não é utilizada qualquer espécie de gordura para barrar a forma).
- Deite a massa nas formas.
- Leve a cozer ao forno (de lenha de preferência). A meio da cozedura, se se verificar que a massa está a ficar muito queimada, retire os tabuleiros do forno e polvilhe-os com bastante farinha de trigo. Leve-os novamente ao forno para terminarem a cozedura.
- Se cozer no forno elétrico: Leve a cozer em forno pré aquecido nos 200 graus, durante cerca de 30 minutos.
- No forno elétrico pode-se cobrir os tabuleiros com papel de alumínio (numa versão mais moderna).
- Quando a massa estiver cozida, retire os tabuleiros do forno e deixe-os arrefecer ligeiramente.
- Com uma trincha para usos culinários, limpe muito bem a farinha, que eventualmente colocou por cima durante a cozedura.
- Com auxílio de uma faca, solte a massa dos lados e desenforme sobre uma toalha.
- Com a mesma trincha limpe muito bem a farinha da parte do fundo do bolo.
- Deixe a massa arrefecer por completo.
Procedimentos para cortar a massa das cavacas:
As cavacas foram cozidas em tabuleiros retangulares (vulgarmente chamados de latas) e agora necessitam de ser fracionadas em pequenos retângulos. Este formato dá origem ao nome “cavacas” por se assemelharem a pequenos pedaços de lenha utilizados para o lume, chamados cavacas ou cavacos de lenha.
As cavacas (fatias) jamais deverão ser cortadas com uma faca. Este é um processo que requer alguma prática para que tudo saia perfeito.
- Depois da massa fria, com a ponta de uma faca bem afiada, faça um corte superficial no sentido do comprimento da massa do bolo.
- Coloque a massa na beirada de uma bancada ou de uma mesa, e com cuidado abra-a em duas partes com as mãos.
- Depois de obter as duas partes do bolo, fracione cada parte em cerca de 10 fatias sensivelmente iguais.
- Utilize a mesma técnica. Com uma faca bem afiada faça os cortes superficiais na massa.
- Parta-a com o auxílio das mãos dando origem assim às cavacas (fatias).
- Repita o processo até toda a massa estar fracionada.
- Disponha as fatias inclinadas nos tabuleiros e deixe-as ficar de um dia para o outro a secar.
Procedimentos para a calda:
- Coloque 250 g de açúcar e meio litro de água ao lume para fazer uma calda de açúcar fina.
- Deixe ferver um minuto e apague.
- Deixe esta calda arrefecer ou atingir uma temperatura morna, quase ao frio.
- Molhe ligeiramente cada fatia de todos os lados que foram cortados.
Procedimentos para a cobertura:
- Coloque num tachinho 500g de açúcar com 1 dl de água e leve ao lume até atingir ponto de bola mole (125 graus). Se colocar um pouco desta calda de açúcar numa tigelinha com água fria, verá que se forma uma bola de açúcar consistente, mas maleável.
- Quando atingir esta temperatura molhe ligeiramente a superfície da cavaca na calda.
- Com o dedo indicador passe imediatamente farinha de trigo sobre o açúcar.
- Esfregue ligeiramente e a capa está pronta.
- Verá que seca rapidamente obtendo-se uma tonalidade branca opaca.
Obs.: Uma outra técnica para se fazer a cobertura consiste no seguinte:
- Com uma trincha para usos culinários pincele a capa com a calda de açúcar.
- Com outra trincha coloque a farinha, intercalando camadas de açúcar com camadas de farinha.
A calda deverá ser mantida quente, mas não a ferver – deverá tentar manter a temperatura de 125 graus.
Para o efeito, mantenha o tachinho sobre a fonte de calor, numa temperatura muito baixa, desligando-a e ligando-a de vez em quando.
Outra versão da receita de cavacas de Resende
Irá necessitar de:
Para a massa
- 10 ovos inteiros + 2 gemas à temperatura ambiente;
- 50 g de farinha de trigo;
- 100 g de açúcar.
Para cozer as cavacas
- Tabuleiros com 45 x 30 cm aproximadamente;
- Farinha de trigo tipo 55;
- Farinha de milho fina.
Para a calda
- 250 g de açúcar;
- Meio litro de água.
Para a cobertura
- 500 g de açúcar;
- 1 dl de água.
Procedimentos:
Os mesmos descritos anteriormente.
O que são Cavacas de Resende?
“Ó freguesinho, não vai meio arrátle? Olhe que são de Resende!”
“Logo de manhã as doceiras estendiam sobre a toalha, toda franjada de rendas, vários doces muito cobertos de açúcar que despertavam a gulodice dos romeiros.” – Este é o relato publicado num jornal do século XIX, referente à venda das cavacas de Resende numa romaria.
As cavacas de Resende são uma iguaria típica da Vila de Resende, do concelho de Viseu e regiões limítrofes.
É uma espécie de pão-de-ló que é fracionado em pequenas fatias, de formato retangular, com medidas aproximadas de 13 centímetros de comprimento, por 3,5 centímetros de largura e 5 centímetros de espessura. Estas “cavacas” são molhadas em calda de açúcar e cobertas com uma capa crocante de farinha e de açúcar em ponto. De ressalvar que existem algumas variações da receita, muitas delas guardadas de geração em geração pelas famílias, como é o caso das que se apresentam, mas a cobertura original jamais é feita com açúcar em pó, clara de ovo ou com sumo de limão.
Devem ser leves, delicadas, curtas, consistentes e não excessivamente pesadas e compactas. Para a sua confecção são necessários poucos ingredientes. Apenas ovos, açúcar, farinha e água, nas quantidades exatas e proporcionais, para além de muita paciência e carinho.
São um doce muito apreciado desde tempos antigos e podem-se encontrar à venda em algumas casas de comércio locais, nas feiras e nas romarias.
No século XIX eram os doces regionais mais apreciados em toda a região e existia o costume de as oferecer como folar durante a Páscoa. Também no Natal era comum oferecer-se “consoadas” de cavacas, principalmente pela parte dos caseiros aos seus patrões, colocadas dentro de pequenas cestas chamadas “condessas”.
A forma tradicional de as fazer é manualmente. A massa bate-se num banco de madeira, constituído por um alguidar, colocado dentro do banco, no qual entra uma pá também de madeira, envolta em correias. São batidas longamente através da força braçal e cozidas em fornos a lenha.
Claro está que a cozinha não é estática, evolui, e hoje em dia as batedeiras facilitam muito este processo, embora quem as possa cozer em forno de lenha só ganhará em qualidade e em sabor. A qualidade dos ovos também é essencial. Deverão ser o mais fresco possível e caseiros de preferência.
Não existem registos concretos sobre a origem deste doce, embora se saiba que a sua receita é muito antiga. A sua génese remete-nos para uma lenda, passada durante a Idade Média e que diz o seguinte:
Consta-se que uma senhora que residia na aldeia de Vinhós estava a preparar a boda de casamento para a sua filha. Como em todos os casamentos tem de existir um bolo de noiva, a senhora decidiu confecioná-lo com toda a sua dedicação.
Devido a uma peste que assolou o concelho por essa ocasião, o casamento teve de ser adiado. Como se tratava de uma família com parcos recursos económicos, a senhora resolveu guardar o bolo até à nova data em que o casamento se pudesse realizar.
Quando foi possível realizar a boda, o bolo encontrava-se ressequido. Então, retirou a parte de cima do mesmo e molhou a parte sobrante numa calda de açúcar que lhe restituiu a frescura e fez a delícia dos comensais convidados.