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Em fogo lento

Cozinha de conforto... e não só! by Telas da Alma INSIGHTS

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Sopa seca

 

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Irá necessitar de:

  • 1 alguidar de barro, com a capacidade de 500g;
  • 1 cacete de pão (dos que se utilizam para as rabanadas);
  • Água;
  • Sal;
  • Casca de limão;
  • Vinho do Porto;
  • Açúcar mascavado;
  • Canela em pó.

 

Procedimentos:

  1. Pré aqueça o forno nos 230 graus.
  2. Coloque a água ao lume, com umas pedrinhas de sal e casca de limão a gosto.
  3. Deixe levantar fervura e apague.
  4. Parta o cacete, com dois a três dias, em fatias (como se estivesse a fazer rabanadas).
  5. Transfira a água com o limão para um recipiente.
  6. Embeba bem as fatias de cacete na calda de água e limão.
  7. Coloque uma fatia no fundo do alguidar. Salpique-a com um pouco de vinho do Porto e polvilhe-a com açúcar mascavado e canela.
  8. Vá dispondo as fatias no alguidar, pressionando para as acamar muito bem. Entre cada camada regue as fatias com vinho do Porto e polvilhe-as com açúcar mascavado e canela.
  9. Vá colocando também algumas colheres de calda limão, de forma a que fiquem bem ensopadas, mas não em demasia.
  10. Repita o processo até se esgotar todo o pão.
  11. Termine com vinho do Porto, um pouco de calda de limão e uma boa camada de açúcar e canela.
  12. Leve ao forno até as sopas estarem bem tostadinhas e abertas.
  13. Sirva mornas ou frias.

 

 

Sobre a Sopa seca

 

Esta sobremesa, também conhecida como “a sobremesa dos pobres”, surgiu da necessidade de se reaproveitar as sobras de pão, que se iam acumulando, e das dificuldades económicas que grassavam sobre muitos. Ao longo do País existem variadas formas de a confecionar.

O pão duro utilizado pode ir desde a simples carcaça ao cacete das rabanadas, ou ao pão de Padronelo, da zona de Amarante.

Para além do pão, os ingredientes básicos são muito simples: água, açúcar, canela e limão, embora existam umas versões mais enriquecidas do que outras, onde são acrescentados o vinho do Porto, o mel e os frutos secos, tais como pinhões, passas ou nozes.

A calda mais comum é feita com água, açúcar, que pode ser amarelo ou branco, mel, vinho do Porto, casca de limão ou folhas de laranjeira, canela em pó, canela em pau e sal. Esta calda deverá ferver para que todos os ingredientes se fundam, a qual servirá depois para embeber as fatias do pão.

Na zona de Penafiel, esta sobremesa tem bastante relevância, por estar associada às Festas da Nossa Senhora do Rosário.

É apelidada de “sopa dos pobres” por ter origem nas necessidades das famílias de parcos recursos económicos. Inicialmente, era confecionada pelos menos abastados e apresentada na Festa da Senhora do Rosário, que se realiza todos os anos na freguesia de Duas Igrejas, em Penafiel, no primeiro fim de semana de outubro, ficando associada a esta festividade, pelo que o evento passou a ser conhecido como Festa da Sopa Seca.

A designação de Sopa Seca provém do facto de ser feita com um caldo /calda, mas que é absorvida, quase na sua totalidade, pelo pão.

Nesta mesma região, também era comum ser servida durante o tempo das vindimas. Por norma, eram confecionados alguns pratos no forno a lenha, a serem servidos a todos os que participavam na colheita das uvas. Então, enquanto o almoço era servido, a sobremesa era confecionada, aproveitando o “borralho do forno”.

É de tradição ser acompanhada com vinho do Porto, vinho doce, ou com outra bebida licorosa.

A sobremesa é confecionada por alturas do Natal, do Carnaval ou em épocas festivas, como é o caso dos aniversários, dos batizados, das comunhões, dos casamentos ou mesmo da matança do porco.

Em algumas partes do Norte do País, poderemos encontrar esta sopa feita com água de cozer carnes. Nesta versão, o pão é demolhado com a água de cozer as carnes, sendo polvilhada com açúcar e canela, entre cada camada. A sobremesa feita com água de cozer as carnes era comum nas casas das pessoas mais abastadas.

Existe uma outra versão de Sopa Seca, mas esta apresenta-se como um prato salgado, também servido em épocas festivas.

A versão salgada consiste em se fazer um cozido com carnes variadas.  Coze-se chispe de porco, salgado de um dia para o outro, galinha e enchidos. Há também quem faça um Cozido à Portuguesa tradicional e lhe aproveite o caldo.

As carnes depois de cozidas deverão ser desfiadas e desossadas. O caldo deverá ser coado.

Num alguidar de barro, caraterístico para se fazer o arroz do forno, coloca-se as fatias de pão duro, que são embebidas no caldo e intercaladas com as carnes desfiadas. Leva-se ao forno de lenha e decora-se com limão e folhas de hortelã.

Numa outra versão do mesmo prato é utilizado pão duro, com um ou dois dias, colocado numa travessa comum de servir à mesa, cortado em fatias, o qual é coberto abundantemente com as carnes desfiadas e regado com colheradas do caldo. Por fim, a sopa é decorada com rodelas de chouriço, rodelas de limão e folhas de hortelã. É servida sem ir ao forno a gratinar.

Na maior parte das vezes, em tempos ancestrais, era utilizado o próprio pão que era confecionado de forma artesanal, no lar de cada um.